Noite de quinta-feira. Paulo chega do trabalho e vai caminhar na praia, curtir seus nove quilômetros de meditação. Seu celular está morrendo (carga mínima da bateria) e ele resolve deixá-lo no carregador. A caminhada leva em torno de duas horas, pois no meio do caminho existem alguns aparelhos onde faz barras e abdominais. Ao chegar em casa, tem uma enorme surpresa: existem 38 ligações não atendidas. Imaginou que Dani resolvera ligar para avisar que já estava pronta para o encontro final, mas, quando olhou a lista levou um susto. Haviam ligações da irmã, da mãe, do padrasto, do dono da empresa em que trabalha, números desconhecidos. Logo em seguida o celular toca. É sua mãe, chorando e quase sem conseguir falar direito. Alguém, enquanto Paulo caminhava, ligou à cobrar, para ela dizendo que ele havia sido sequestrado, espancado e o corpo se encontrava jogado na rua ali próximo à casa dela. Paulo ficou furioso, a primeira pessoa em quem pensou foi no ex-namorado de Dani, que na noite anterior já havia ligado para fazer ameaças. Por não ter conseguido falar com Paulo, é possível que o rapaz tenha decidido, então, fazer terrorismo com a família dele. Por ter acesso livre ao celular de Dani, não seria difícil descobrir o número da mãe de Paulo.
Paulo tranquiliza a mãe e, ao desligar, começa a receber ligações uma atrás da outra de todos os envolvidos na busca. Pouco depois Dani liga. Paulo, ainda super nervoso, a trata com ignorância e a manda sumir da vida dele prá sempre, que o esqueça. Dani, não suportando a maneira de Paulo falar, e, não tendo chance de dizer nada, desliga. Paulo continua atendendo aos dois telefones quase que simultâneamente e vai esclarecendo a todos de que está tudo bem.
Alguns minutos depois, Dani liga novamente. Pede que Paulo abra a porta, pois, apesar de ter cópia das chaves, Paulo havia trocado o segredo da porta de acesso ao seu apartamento. Ela estava atrás da porta e Paulo, sem saber continua falando sem parar prá ela deixar ele em paz. Dani diz que só quer entrar e pegar algumas coisas pessoais que estavam lá. Paulo diz que não, já desligando o telefone e gritando para a porta. Ela pede que ele pegue os objetos e entregue a ela.
Paulo pega a bolsa, onde na noite de segunda guardou tudo, abriu a porta a jogou para fora, trancando a porta em seguida.
Dani desce e Paulo acende um cigarro e vai para a janela. Dani abre o carro guarda a bolsa e olha prá cima. Os olhos se cruzam, os dois ficam parados. Paulo fica paralisado ao vê-la, ela diz alguma coisa mas ele não consegue ouvir, ela pede que ele desça e ele aceita.
Chegando perto do carro, ele ouve Dani tentando se defender, dizendo que não tem nada a ver com isso, que estava tão chocada quanto ele. depois de desabafar, Paulo senta na calçada e diz que ela pode falar o que tem para falar.
Dani diz que está ali para conversar, esclarecer as coisa. Ela acaba de deixar Janaína em casa e, após a conversa das duas, ela tem muito o que dizer a ele. Paulo sente fome e diz que precisa comer algo, que vai subir. Dani pergunta se pode subir também e Paulo permite.
Enquanto ele prepara um Ovomaltine com leite, aproveita para entregar à Dani os últimos textos que havia escrito para ela.
Paulo toma um banho e, já mais calmo senta-se diante de Dani e diz que ela pode começar a falar, que ele é todo ouvidos.
Dani diz que conversou com Janaína sobre o queria falar com Paulo. No dia anterior ela já estava decidida a ter essa conversa, mas, com a morte repentina da avó, foi obrigada a adiar. Ela tinha a intenção de chegar cedo na casa de Paulo, fazer um jantar e ter uma conversa séria e esclarecedora. Como não foi possível, só restou esperar um dia.
Paulo ouvia calado, e depois de um tempo cobrou de Dani "Então fale logo o que você queria tanta falar pessoalmente".
Dani recapitula toda a história, fica admirada quando Paulo revela que foram vinte e seis dias de luta.
Num determinado momento ela diz que vai fechar os olhos e fazer uma pergunta e deseja saber se ele vai se importar. Paulo diz que não e ela o lembra do dia 20 (era o dia do primeiro encontro, eles comemoravam todos os meses esse dia, há muito tempo sem festa ou noite especial mas sempre lembrado). Paulo respondeu afirmativamente, lembrando até da proposta feita por ele para que os dois fossem ao local do primeiro encontro nesse dia, independente de estarem juntos ou não.
Dani diz que vai fazer outra pergunta, mas quer permanecer de olhos fechados, pergunta se Paulo ainda quer ir. Ele pensa e diz que pode responder de três maneiras: Pode dizer sim, não ou responder com outra pergunta.
Paulo resolve responder com uma pergunta, mas diz que só aceita com ela olhando nos olhos dele. Nesse momento, Dani já se encontra deitada ao lado dele, e abre os olhos, vermelhos de conjuntivite e lágrimas. Ela responde meigamente com uma pergunta também "Por que é que você acha que estou aqui?". Paulo responde que ela está ali prá brigar com ele por ter envolvido tanta gente no problema deles. Ela diz que não, e responde que quer muito vê-lo no dia "vinte".
Paulo acerta para as vinte horas do dia vinte pegar Dani em casa e irem para o "Chopp Hauss", dá um forte abraço nela, tenta um beijo mas ela nega. Diz que quer muito conhecer este homem no qual se transformou Paulo. Quer muito acreditar que tudo pode ser diferente. Paulo concorda que é melhor começar do zero, se conhecerem e deixar rolar como se fosse a primeira vez.
Concluindo, os dois não voltaram, não deram esperanças um ao outro, apenas irão sair e conversar. O encontro não será postado aqui, e sim no novo blog "Paulo - A História de um Recomeço" em http://paulorecomeco.zip.net.
A todos um forte abraço, sempre lutem pelo amor. Ele existe é lindo, mas só pode ser vivido por dois, nunca por um.
Fiquem com Deus.




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